Quem é de Uberaba e região, certamente já ouviu falar da “Banda Projeto ao Cubo”. Confira um bate-papo descontraído, onde eles contam sobre um pouco sobre sua história e quais são seus planos para o futuro.

 

FORMADO EM MARÇO DE 2014, o Projeto ao Cubo hoje é bastante conhecido na região do triângulo mineiro e faz sucesso por onde passa. A banda é composta por apenas três integrantes: O vocalista e violonista Pablo Henrique de Carvalho, nascido no dia 20 de Dezembro de 1986, em Uberaba (MG), o baterista e percussionista Eduardo Barbosa Santos, conhecido como Dudu Hermano, nascido em 16 de Julho de 1987, em Poços de Caldas (MG), e o baixista Matheus Abdalla Sousa, também conhecido simplesmente como Matt Abdalla, nascido em 11 de Janeiro de 1988, em Uberaba (MG).

Considerados pela crítica popular como a maior revelação dos últimos tempos em Uberaba e região, Projeto ao Cubo começou sua trajetória em 2014. O então “projeto” se tornou realidade e a banda hoje é bastante conhecida na região do triângulo mineiro fazendo enorme sucesso por onde passa. Vestidos sempre com suspensórios e gravatas, o conjunto é formado por três integrantes – e há quem duvide disso tamanha versatilidade e talento –, sendo eles: O vocalista e violonista Pablo, o baterista e percussionista Dudu Hermano e o baixista Matt Abdalla.

O ecletismo de Projeto ao Cubo, que vai desde a escolha do repertório até a exploração dos instrumentos musicais, é transmitido nas músicas, por isso, mesmo que as pessoas as conheçam, cada versão tem seu jeito único. Suas músicas autorais também já têm grande sucesso sendo executadas nas rádios locais.

A experiência dos músicos em participações de shows com outros grandes artistas, somada à humildade de quem sabe a luta da profissão escolhida se traduz em uma banda carismática que conquista a todos, por isso, sejam em festas particulares, bares ou eventos grandiosos, Projeto ao Cubo é sempre sucesso garantido.

De onde veio o nome da banda? Fugindo, claro, do óbvio de vocês serem três, e de onde surgiu a ideia de vocês vestirem roupas iguais?

Pablo: Tem uma historinha que eu sempre conto junto com o pessoal… O Dudu sempre ia me “encher o saco” nos lugares em que eu estava tocando Mamonas Assassinas, era massa demais (risos), até que eu falei: “Vamos ver esse cara tocando, né?”, pra saber o que é que ele faz, e tal. Na hora que eu cheguei, eu falei: “Puta merda! Cara… Que é que é isso? O que esse cara tá fazendo? Ele tem quantos braços?”. O cara estava tocando ali o cajón e ao mesmo tempo, lançando a mão nas congas e nos pratos, e fazendo backing vocal! No dia, ele estava tocando com o Peixinho [o cantor Reginaldo Silva] no dia. Naquele dia, eu cheguei nele e perguntei se ele estava disponível. Ele mesmo falou: “Sou uma prostituta musical, cara… vou com quem pagar…”.

Matt: Quem pagar leva! (risos)

Pablo: Todo mundo estava tocando com o Dudu! Até que teve um dia que eu consegui uma data com ele num bar aqui de Uberaba chamado Cu do padre, a gente começou a tocar e ele curtiu, falou o seguinte pra mim: “A sua pegada de violão é funkeada, eu gostei pra caramba, acho que vai casar!”. Na hora, já respondi: “Eu conheço um cara aqui que tem tudo a ver, sabe? Que vai me ajudar muito. O cara faz backing e toca pra caralho. É o Matt. Vamos juntar nós três e tentar fazer um esquema meio diferente?”. Eu fiz um grupo no Whatsapp chamado “Projeto ao cubo”, primeiro, logicamente, porque somos três, e porque era isso mesmo, um projeto, mas “Banda Projeto ao Cubo”, entendeu? E sobre as roupas, na primeira conversa que tivemos, eu falei assim: “Vamos tocar com roupas iguais? Porque a gente tocando igual, a gente vai ser diferente”. Na verdade, essa ideia veio dos Beatles ou até músicos mais antigos, mas aqui na cidade, depois de Os Mugstones, de 1969 ou 70, não sei o ano… A gente começou a tocar de novo com roupas iguais, tanto que lancei um monte de fotos de gravata borboleta com colete, chapéu… Aí, os três foram unânimes: O suspensório e a gravata.

Matt: Eu acho que era o que menos ia dar calor! (risos)

Dudu Hermano: O mais fresco… (risos)

Matt: Eu imaginei assim: “De colete, gravata borboleta, esses negócios sufocando assim… Não, para…”(risos)

Pablo: Não que a gente tenha lançado uma tendência, mas depois que a gente começou a tocar com roupas iguais, sete outras bandas na cidade começaram a tocar com roupas iguais. Sete bandas! Mas também já confundiram a gente com garçom, com motorista de ônibus interestadual… (risos)

Matt: Um dia, estávamos parados na porta de bar, parou um carro e perguntou: “Tá bom aí, tem vodca e tal?”, eu respondi: “Opa, tem sim!”(risos)

Pablo: Teve um dia que eu parei um ônibus e o cara me perguntou se eu era motorista. “Eu sou!” (risos) Mas o mais interessante disso, é que a gente hoje é mais conhecida como a banda que tem mais amizade com a galera que trabalha nos bares.

Dudu Hermano: A diferença do Projeto ao Cubo pra um garçom, é que eles servem bebidas e a gente serve música. A gente se considera amigo de profissão porque a gente também está lá trabalhando. Todos os bares em que a gente entra, logo fica amigo de todos os garçons. Tem alguns artistas que se acham estrelas, acham que são mais por estarem ali…

Pablo: E quem fala isso são os próprios garçons, não é a gente não!

Dudu Hermano: É tanto que quando a gente vai tocar num lugar, já separa um número de CDs pra eles. E todos querem a camiseta da banda, até pra ajudar a divulgar… Eles gostam mesmo!

Exceto música, com o quê vocês já trabalharam?

Dudu Hermano: Eu comecei com doze anos como office-boy numa ótica, depois passei a auxiliar de laboratório e depois vendedor. Comecei a fazer direito e estudei por dois anos e meio, mas eu não sirvo pra Direito, eu sirvo pra mexer com ótica! Tranquei a faculdade, fazia PUC na época, meu pai, que numa me deu um tapa, foi pra cima de mim e falou: “Cara, você tá ficando doido!”. Formei em ótica, tenho curso específico pra área. Eu consegui abrir uma ótica, a loja já tem seis anos. Hoje eu tenho as duas paixões, mas se uma hora a música pesar mais, eu creio que essa paixão pela música vai pesar, muito.

Matt: Já fui repositor de bar, guardava cerveja no freezer, doido pra tomar uma e não podia (risos), trabalhei no Bob’s uma época, em Uberlândia. Doido também pra comer os lanches e não podia! (risos) Depois trabalhei na área de saúde, na parte administrativa. Trabalhei em loja de suprimento pra informática, também na parte administrativa. Estudei publicidade, tranquei no terceiro período, porque eu vi que não era aquilo que eu queria. Comecei a fazer administração numa faculdade, quebrei o pau com a coordenação, com todo mundo lá, porque as ideias não batiam. Por fim, me formei em gestão pública. Vamos garantir o diploma, mas a paixão pela música, desde a época de escola mesmo.

Pablo: Teve uma vez que eu fui num show daqueles da Exposição da ABCZ [A ExpoZebu (Exposição Internacional de Gado Zebu) é uma feira de genética, tecnologia e negócios promovida anualmente pela ABCZ (Associação Brasileira dos Criadores de Zebu)] e fiquei ali público e pensei: “Gente, é engraçado estar aqui, eu queria estar lá, onde aquele cara está. Lá em cima, lá no palco”. Eu sempre tive isso no meu subconsciente, mas pra eu começar a movimentar a minha vida financeira, comecei a querer expandir um pouco mais os meus conhecimentos de uma área qualquer. Comecei com doze anos a fazer manequim odontológico, meu primeiro emprego, mas de carteira registrada mesmo, aos quatorze anos, eu fui radialista. (risos) Trabalhei na extinta PRE–5, Rádio Sociedade do Triângulo Mineiro, a quinta rádio mais velha do Brasil. Trabalhei lá como repórter de campo, locutor esportivo (risos) e tive um programa de esportes. [Nesse momento, os três começam a rir alto] Eles estão rindo porque já aconteceram coisas assim, catastróficas… (risos)

Conta algumas!

Pablo: Ah, eu já entrevistei um time do Corinthians sem saber que era o máster do Corinthians… Eu nem fazia ideia de quem era o Biro-biro na época! Entrevistei o cara sem saber quem ele era! (risos) Uma vez eu falei que o jogador “estilhaçou” no campo, aí o narrador falou que voou uma perna, um braço, a cabeça dele… (risos) Teve uma vez que eu saí escoltado do Uberabão [Estádio Municipal Engenheiro João Guido], porque teve uma briga no campo em um jogo entre Uberaba e Uberlândia, e alguém jogou uma pedra que quase me acertou. Na hora, eu peguei a pedra eu girei para a cabine da imprensa e falei: “Gente, quase me acertaram essa pedra aqui! Isso é loucura! Olha essa pedra aqui!”. Só que a torcida do Uberaba viu que eu estava balançando o braço e achou que eu queria tacar neles! (risos) Eu lembro da cena de um menino de uns oito anos mais ou menos, me xingando como se eu fosse um juiz, entendeu? (risos) Eu trabalhei com rádio até mais ou menos uns dezoito anos. Depois, entrei na faculdade, fiz jornalismo, apenas um período, porque minha área não é muito leitura, gosto muito mais de ver. Morei em Ribeirão Preto (SP) por dois anos, nessa época, eu tinha feito um curso de eletrônica integrada, e acabei trabalhando nessa área dando manutenção em inversor de frequência. Depois, voltei para Uberaba e comecei a trabalhar dando manutenção em internet, TV a cabo, em rede… Meu último emprego até eu resolver trabalhar só com música, eu fui… Você pode até me zoar, né? Mas eu fui magro por dois anos (risos). Eu fui salva vidas! (risos) Eu fiz curso com bombeiro! (risos) Eu era salva-vidas no SESC. Eu falei: “gente, eu estou tentando de tudo nessa vida, mas só tá dando certo ser músico”. Tinha que focar, né? (risos)

Todos vocês têm seus negócios paralelos, mas seria possível largar tudo e viver só de música hoje?

[Nesse momento, o pequeno banco de madeira que apoiava a churrasqueira de ferro começou a pegar fogo e tivemos que fazer uma pausa. Depois de algumas risadas, voltamos a conversar]

Dudu Hermano: Eu falo por mim, se der uma louca em mim, eu vou viver de música! Hoje, do jeito que a banda está, a gente poderia viver sim, cara. Eu poderia ter uma vida legal, porque o cachê da banda hoje aqui em Uberaba, nessa fase que a gente está, eu creio que é um dos melhores na cidade, e pela quantidade de vezes que a gente toca, a gente tem uma condição de viver de música. O produtor do Capital Inicial sentou com a gente e perguntou quanto era o cachê da banda, a gente passou o valor e ele falou: “Cara, é impressionante ouvir isso na região que vocês estão!”. A gente hoje tem que levantar mão e dar graças a Deus que realmente poderia ter uma vida legal vivendo de música.

O primeiro show da banda, no dia 29 daquele mês, foi anterior ao da banda Raimundos“Quando a gente acabou de tocar, o dono do bar disse que havia gravado nosso show, e nós temos isso registrado em vídeo”, disse Dudu Hermano.

A entrevista foi na casa do Matheus, em uma noite em que a banda relaxava e se preparava para receber os amigos em um churrasco, já que naquele dia, seu show – que seria o de abertura da banda Capital Inicial em Uberaba – havia sido cancelado pelos organizadores. Confira a entrevista que durou pouco mais de uma hora:

De onde veio o nome da banda? Fugindo, claro, do óbvio de vocês serem três, e de onde surgiu a ideia de vocês vestirem roupas iguais?

Pablo: Tem uma historinha que eu sempre conto junto com o pessoal… O Dudu sempre ia me “encher o saco” nos lugares em que eu estava tocando Mamonas Assassinas, era massa demais (risos), até que eu falei: “Vamos ver esse cara tocando, né?”, pra saber o que é que ele faz, e tal. Na hora que eu cheguei, eu falei: “Puta merda! Cara… Que é que é isso? O que esse cara tá fazendo? Ele tem quantos braços?”. O cara estava tocando ali o cajón e ao mesmo tempo, lançando a mão nas congas e nos pratos, e fazendo backing vocal! No dia, ele estava tocando com o Peixinho [o cantor Reginaldo Silva] no dia. Naquele dia, eu cheguei nele e perguntei se ele estava disponível. Ele mesmo falou: “Sou uma prostituta musical, cara… vou com quem pagar…”.

Matt: Quem pagar leva! (risos)

Pablo: Todo mundo estava tocando com o Dudu! Até que teve um dia que eu consegui uma data com ele num bar aqui de Uberaba chamado Cu do padre, a gente começou a tocar e ele curtiu, falou o seguinte pra mim: “A sua pegada de violão é funkeada, eu gostei pra caramba, acho que vai casar!”. Na hora, já respondi: “Eu conheço um cara aqui que tem tudo a ver, sabe? Que vai me ajudar muito. O cara faz backing e toca pra caralho. É o Matt. Vamos juntar nós três e tentar fazer um esquema meio diferente?”. Eu fiz um grupo no Whatsapp chamado “Projeto ao cubo”, primeiro, logicamente, porque somos três, e porque era isso mesmo, um projeto, mas “Banda Projeto ao Cubo”, entendeu? E sobre as roupas, na primeira conversa que tivemos, eu falei assim: “Vamos tocar com roupas iguais? Porque a gente tocando igual, a gente vai ser diferente”. Na verdade, essa ideia veio dos Beatles ou até músicos mais antigos, mas aqui na cidade, depois de Os Mugstones, de 1969 ou 70, não sei o ano… A gente começou a tocar de novo com roupas iguais, tanto que lancei um monte de fotos de gravata borboleta com colete, chapéu… Aí, os três foram unânimes: O suspensório e a gravata.

Matt: Eu acho que era o que menos ia dar calor! (risos)

Dudu Hermano: O mais fresco… (risos)

Matt: Eu imaginei assim: “De colete, gravata borboleta, esses negócios sufocando assim… Não, para…”. (risos)

Pablo: Não que a gente tenha lançado uma tendência, mas depois que a gente começou a tocar com roupas iguais, sete outras bandas na cidade começaram a tocar com roupas iguais. Sete bandas! Mas também já confundiram a gente com garçom, com motorista de ônibus interestadual… (risos)

Matt: Um dia, estávamos parados na porta de bar, parou um carro e perguntou: “Tá bom aí, tem vodca e tal?”, eu respondi: “Opa, tem sim!”. (risos)

Pablo: Teve um dia que eu parei um ônibus e o cara me perguntou se eu era motorista. “Eu sou!” (risos) Mas o mais interessante disso, é que a gente hoje é mais conhecida como a banda que tem mais amizade com a galera que trabalha nos bares.

Dudu Hermano: A diferença do Projeto ao Cubo pra um garçom, é que eles servem bebidas e a gente serve música. A gente se considera amigo de profissão porque a gente também está lá trabalhando. Todos os bares em que a gente entra, logo fica amigo de todos os garçons. Tem alguns artistas que se acham estrelas, acham que são mais por estarem ali…

Pablo: E quem fala isso são os próprios garçons, não é a gente não!

Dudu Hermano: É tanto que quando a gente vai tocar num lugar, já separa um número de CDs pra eles. E todos querem a camiseta da banda, até pra ajudar a divulgar… Eles gostam mesmo!

Exceto música, com o quê vocês já trabalharam?

Dudu Hermano: Eu comecei com doze anos como office-boy numa ótica, depois passei a auxiliar de laboratório e depois vendedor. Comecei a fazer direito e estudei por dois anos e meio, mas eu não sirvo pra Direito, eu sirvo pra mexer com ótica! Tranquei a faculdade, fazia PUC na época, meu pai, que numa me deu um tapa, foi pra cima de mim e falou: “Cara, você tá ficando doido!”. Formei em ótica, tenho curso específico pra área. Eu consegui abrir uma ótica, a loja já tem seis anos. Hoje eu tenho as duas paixões, mas se uma hora a música pesar mais, eu creio que essa paixão pela música vai pesar, muito.

Matt: Já fui repositor de bar, guardava cerveja no freezer, doido pra tomar uma e não podia (risos), trabalhei no Bob’s uma época, em Uberlândia. Doido também pra comer os lanches e não podia! (risos) Depois trabalhei na área de saúde, na parte administrativa. Trabalhei em loja de suprimento pra informática, também na parte administrativa. Estudei publicidade, tranquei no terceiro período, porque eu vi que não era aquilo que eu queria. Comecei a fazer administração numa faculdade, quebrei o pau com a coordenação, com todo mundo lá, porque as ideias não batiam. Por fim, me formei em gestão pública. Vamos garantir o diploma, mas a paixão pela música, desde a época de escola mesmo.

Pablo: Teve uma vez que eu fui num show daqueles da Exposição da ABCZ [A ExpoZebu (Exposição Internacional de Gado Zebu) é uma feira de genética, tecnologia e negócios promovida anualmente pela ABCZ (Associação Brasileira dos Criadores de Zebu)] e fiquei ali público e pensei: “Gente, é engraçado estar aqui, eu queria estar lá, onde aquele cara está. Lá em cima, lá no palco”. Eu sempre tive isso no meu subconsciente, mas pra eu começar a movimentar a minha vida financeira, comecei a querer expandir um pouco mais os meus conhecimentos de uma área qualquer. Comecei com doze anos a fazer manequim odontológico, meu primeiro emprego, mas de carteira registrada mesmo, aos quatorze anos, eu fui radialista. (risos) Trabalhei na extinta PRE–5, Rádio Sociedade do Triângulo Mineiro, a quinta rádio mais velha do Brasil. Trabalhei lá como repórter de campo, locutor esportivo (risos) e tive um programa de esportes. [Nesse momento, os três começam a rir alto] Eles estão rindo porque já aconteceram coisas assim, catastróficas… (risos)

Conta algumas!

Pablo: Ah, eu já entrevistei um time do Corinthians sem saber que era o máster do Corinthians… Eu nem fazia ideia de quem era o Biro-biro na época! Entrevistei o cara sem saber quem ele era! (risos) Uma vez eu falei que o jogador “estilhaçou” no campo, aí o narrador falou que voou uma perna, um braço, a cabeça dele… (risos) Teve uma vez que eu saí escoltado do Uberabão [Estádio Municipal Engenheiro João Guido], porque teve uma briga no campo em um jogo entre Uberaba e Uberlândia, e alguém jogou uma pedra que quase me acertou. Na hora, eu peguei a pedra eu girei para a cabine da imprensa e falei: “Gente, quase me acertaram essa pedra aqui! Isso é loucura! Olha essa pedra aqui!”. Só que a torcida do Uberaba viu que eu estava balançando o braço e achou que eu queria tacar neles! (risos) Eu lembro da cena de um menino de uns oito anos mais ou menos, me xingando como se eu fosse um juiz, entendeu? (risos) Eu trabalhei com rádio até mais ou menos uns dezoito anos. Depois, entrei na faculdade, fiz jornalismo, apenas um período, porque minha área não é muito leitura, gosto muito mais de ver. Morei em Ribeirão Preto (SP) por dois anos, nessa época, eu tinha feito um curso de eletrônica integrada, e acabei trabalhando nessa área dando manutenção em inversor de frequência. Depois, voltei para Uberaba e comecei a trabalhar dando manutenção em internet, TV a cabo, em rede… Meu último emprego até eu resolver trabalhar só com música, eu fui… Você pode até me zoar, né? Mas eu fui magro por dois anos (risos). Eu fui salva vidas! (risos) Eu fiz curso com bombeiro! (risos) Eu era salva-vidas no SESC. Eu falei: “gente, eu estou tentando de tudo nessa vida, mas só tá dando certo ser músico”. Tinha que focar, né? (risos)

Todos vocês têm seus negócios paralelos, mas seria possível largar tudo e viver só de música hoje?
[Nesse momento, o pequeno banco de madeira que apoiava a churrasqueira de ferro começou a pegar fogo e tivemos que fazer uma pausa. Depois de algumas risadas, voltamos a conversar]

Dudu Hermano: Eu falo por mim, se der uma louca em mim, eu vou viver de música! Hoje, do jeito que a banda está, a gente poderia viver sim, cara. Eu poderia ter uma vida legal, porque o cachê da banda hoje aqui em Uberaba, nessa fase que a gente está, eu creio que é um dos melhores na cidade, e pela quantidade de vezes que a gente toca, a gente tem uma condição de viver de música. O produtor do Capital Inicial sentou com a gente e perguntou quanto era o cachê da banda, a gente passou o valor e ele falou: “Cara, é impressionante ouvir isso na região que vocês estão!”. A gente hoje tem que levantar mão e dar graças a Deus que realmente poderia ter uma vida legal vivendo de música.

Por que não compactar uma banda baile em três pessoas? Se a gente deixar o lado acústico de lado, deixa de ser o Projeto ao Cubo.

-Pablo Carvalho

Por que não compactar uma banda baile em três pessoas? Se a gente deixar o lado acústico de lado, deixa de ser o Projeto ao Cubo. Hoje eu comprei um violão que tem um estilo de guitarra, e a gente tá começando agora a trabalhar com pedais.

E você Dudu, uma bateria também cabe num acústico. Como que é a história do seu instrumento?

Dudu Hermano: Talvez, hoje eu não seja um Ryan [Ribeiro], um Zó [o baterista Flaviano Ferreira], ou um Kelvin, porque com treze anos eu não falei: “eu vou ser baterista”. Eu acabei aprendendo um pouquinho de bateria, um pouquinho de guitarra, de violão, de baixo, de teclado, um pouquinho de cada coisa. Quando eu cheguei em Uberaba, eu entrei numa escola de música pra estudar bateria e pra ver se encontrava um amigo pra eu poder montar uma banda, entendeu? Bateria é um instrumento que todo mundo precisa! Minha mulher me deu um cajón de presente, aniversário de um ano de casamento, e eu comecei a tocar esse instrumento. Um dia, eu estava na aula de bateria e meu telefone tocou, mas como respeito muito, não atendi ao telefone. Quando acabou a aula, oito horas da noite, liguei de volta. Era um cara me chamando pra tocar cajón para a Aracelle [Fernandes] às oito e meia. E eu fui! Comecei a tocar com ela, outros músicos viram, gostaram… Comecei a tocar cajón. Até o Matt, que na época era da Banda Maddock, fez uma versão acústica um dia com o vocalista, tocando violão, baixo e cajón, eu fui tocar com eles, nem imaginava que um dia aquilo seria quase o Projeto ao Cubo. Comecei com o cajón, depois pus um Chimbal, um prato, um bongô, uma caixa, um tom, um carrilhão, tudo aos poucos. Por fim, hoje quando a gente vai tocar precisa de mais vias que uma bateria.

Matt: Hoje é quase um Neil Peart, do Rush! Eu falei que daqui uns dias ele vai ter que usar um banquinho que gira pra bater nisso aí tudo! (risos)

E você faz experimentos do tipo “vou bater nisso aqui pra ver se dá certo…”?

Dudu Hermano: Eu sou baterista e sou destro, Chimbal na mão direita, bumbo pé direito. Um professor meu, quando comecei, me falou que eu tinha que desenvolver a cabeça para que cada mão fosse uma coisa. A mão direita uma peça, a mão esquerda outra, por exemplo, você tocar um “dois por dois”, “três por três”, “quatro por quatro”. E eu fixei nessa ideia. Isso que me fez tocar o cajón com muitas outras coisas. E o legal do Projeto ao Cubo é que a banda me deu a oportunidade de poder experimentar as coisas sem me pressionar.

E você Matt, qual é a história do baixolão?

Matt: No começo eu usava um baixo elétrico, eu tinha um RBX da Yamaha com cinco cordas. De vez em quando eu sinto falta da quinta corda… Só que eu sentia que quando ele estava junto com o violão e com a percussão, o som não dava aquela encaixada, era um som muito metálico! Aí eu peguei um baixolão, na época foi até um Hofma, pra experimentar e acabou que casou, porque o baixolão já tem um som mais aveludado, né? Depois disso, investi num Fender da linha Kingman, captação Fishman. Agora eu comprei uma Pedaleira Boss Gt 10b e estou experimentando alguns efeitos, algumas coisas que agregam dentro da proposta da banda.

Dudu Hermano: Aproveitando o que o Matt falou, hoje a gente tá tocando uma música que dá impressão que é um acústico, aí de repente, na próxima música, ela virou um eletrônico, a pessoa olha e não sabe o que está acontecendo… É eletrônico? É acústico? Sai dos dois jeitos!

Pablo: Mas é acústico. Uma das coisas que o povo mais fala quando tá vendo o show da banda é: “Como é que esses três caras estão fazendo isso?”. É legal ouvir isso.

Dudu Hermano: Teve um cara que brigou com a gente! Acabou o show e ele falou assim: “Ah, é tudo dublado”.

Matt: É, teve gente que fez isso em Batatais (SP)..

Dudu Hermano: É… Eu respondi que não tinha computador, não tinha nada, que era a gente…

Matt: Não tem nada, absolutamente nada! A gente faz do nosso jeito, a pegada nossa é essa.

Vocês têm sua identidade.

Dudu Hermano: Você usou a palavra: Identidade. O pessoal ouve a gente tocando Jota Quest, e dizem que nunca ouviram aquela versão. É a versão Projeto ao Cubo.

Pablo: Não somos músicos maravilhosos, não. A gente gosta de brincar com o público. A gente é uma banda simples.

Dudu Hermano: Sem pressão, sem falar: “você tem que fazer isso, você tem que fazer aquilo, você tem que ser assim”.

Pablo: Na época de Banda Vênus eu tinha ensaio toda terça-feira, e falavam que eu tinha que tirar a música daquele jeitinho… Agora não. Com a gente é: “Vai… Três quatro…”. (risos)

Falando sobre influências, o que vocês estão ouvindo atualmente?

Dudu Hermano: A briga é essa… A hora que você chegou, o Matt estava rindo de mim, porque eu ouço pagode.

Matt: Eu não estava rindo! Você não me contou isso! (risos) Agora que você me contou! (risos)

Pablo: Vai gerar uma discussão aqui… (risos)

[E realmente os três “discutiram” por alguns instantes enquanto riam tirando sarro um do outro]

Dudu Hermano: Eu gosto muito de reggae, mas se você pegar meu Pendrive verá que tem 120 músicas eletrônicas, versões de Nirvana, Dire Straits, Pink Floyd, Bob Marley… Eu aprendi com um baterista que a música eletrônica é dividida em cinco beats [batidas, em inglês]. Tem a música de 100, de 120, de 140, de 160 beats, e a de 240 beats, que são aqueles caras que fritam a música. Quando o baterista ouve isso, acaba ficando mais completo, porque vai melhorando o tempo como músico. Eu gosto de eletrônico, mas sou eclético, com dezessete anos eu toquei reggae e forró. Não tem como ser um percussionista se você não sabe dividir o tempo com axé, com samba.

Pablo: Eu gosto de Tonico e Tinoco, Chitãozinho e Xororó… Eu chorei esses dias ouvindo música deles! No meu Pendrive tem Pink Floyd, Bee Gees, Scorpions, Pink Floyd, Bee Gees, Scorpions, Pink Floyd, Bee Gees, Scorpions… [todos repetem, como se fosse um mantra e riem]. Olha, eu vou ouvir Pink Floyd pro resto da minha vida, como se fosse a primeira vez.

Matt: A minha influência maior, por causa do meu pai, aquele vadio… (risos) Vamos dizer assim, né? (risos)

Pablo: Vai falar do Delicate [sound of thunder] (risos)

Matt: Ele locava cassete VHS… Ao invés de pegar filme, ele pegava VHS do Pink Floyd, né? O Delicate sound of thunder, colocava no vídeo, eu chupando bico e assistindo… Meu pai dormia, minha mãe, meu irmão, porque o progressivo, tem uma hora que dá um soninho. E eu lá, chupando biquinho e vidrado naquilo. Mas hoje, meu Pendrive tem INXS, Tesla, Cinderella, Poison, Warrant…

Pablo: Muda aí um pouquinho, coloque aí 30 Seconds to Mars, The Winery Dogs, que é muito bom e são três! Quero ficar igual a eles, velhão e tocando…

Matt: Isso aí é mais recente, The Winery Dogs é um trio cara! Pra você ver… Richie Kotzen, que tocava no Mr. Big, Billy Sheeran, que foi baixista do Mr. Big e Mike Portnoy, que era do Dream Theater. Se não der certo, pode parar!

Dudu Hermano: A versatilidade vem disso. O Matt vem, me diz pra ouvir uma coisa, aí o Pablo já mostra outra coisa…

Matt: Cada um tem uma escola, vamos dizer assim.

Pablo: O Matt tem as cordas do rock, eu tenho os vocais que vem de Bee Gees e backing vocals de David Gilmour, e o Dudu tem a área da percussão, que vem do swing de todos os estilos.

E como são os ensaios de vocês?

Pablo: A gente nunca escreveu um repertório, e quando escreveu, deu tudo errado! (risos) A gente nunca ensaiou, quando ensaiou deu tudo errado! A gente nunca ensaiou!

Dudu Hermano: No dia da gravação do DVD…

Pablo: A gravação do DVD, a gente ensaiou duas vezes, mas a gente passava a música, na hora que começava, o trem era engraçado, porque a gente já sabia o que a gente ia fazer… Aí eu falei então: “Vamos embora? Vamos tomar uma ali?”. (risos) Não rendeu nada o ensaio! A gente até precisa, porque estamos começando a colocar coisas novas na banda, mas não, a gente não tem vergonha! (risos)

Dudu Hermano: A ideia da banda é tocar pra ser feliz. A gente tocou aquela música vinte vezes, mas na hora o Pablo fez alguma coisa diferente porque ele quis e ficou legal. Ele tá feliz em ter feito aquilo? Essa parte é a dele na música, entendeu? No meio da música, eu posso soltar um negócio que eu nunca fiz, e o Matt pode acabar falando assim: “Ó, não faz isso aqui…”, mas ele faz uma pegada no baixo… Virou um jazz, entendeu? Aquele improviso.

Pablo: Mas quando dá errado, ninguém segura… Vira uma discussão! (risos) Dá vontade de parar o show e ir embora! (risos) Mas quem está ali no show, nunca vai saber se realmente aquilo foi ensaiado ou se é verdade, se foi feito na brincadeira. E a banda deu certo por isso, desde o primeiro dia até hoje.

Você falou na brincadeira, ou rola briga mesmo?

Pablo: Pra caramba!

Matt: Nó! Banda é casamento sem sexo, graças a Deus! (risos)

Pablo: Rola briga sim, mas nunca teve agressão física.

Matt: Ainda! (risos)

Pablo: Eu vou jogar uma coisa aqui que nunca falei pra eles. Se gerar uma discussão antes do show, acaba com a minha vontade, aquele tesão de cantar. Pelo amor de Deus, nunca discutam comigo antes do show, porque aí eu toco com cara feia, faz ceninha… Às vezes, a energia tá boa demais e o show já foi uma bosta porque aconteceu alguma coisa no meio do show.

Dudu Hermano: Mas a gente chegou num ponto que hoje, que se a gente tiver bem ou mal, ninguém vai saber, o show acontece.

Pablo: A gente tem que ser o máximo profissional possível pra não transparecer para as pessoas que não têm nada a ver com isso, entendeu?

E falando de coisa boa, conte alguma história engraçada, dessas que vocês nunca esquecem.

Matt: Tem o Pablo quebrando um palco, eu caindo com o palco enquanto ele desmonta comigo…

Pablo: (risos) Isso aí foi um dia que eu estava tocando e a parte do palco rebaixou. Eu sou gordinho, gente! (risos)

Dudu Hermano: Ele empolgou! Pulou, a madeira quebrou e ele entrou no carpete!

Matt: Ele entrou pra dentro do carpete! (risos)

Pablo: E o pedestal não foi! (risos) A música parou…

Matt: Quando eu olhei… Você já viu aqueles violeiros? [Enquanto ri, ele faz um gesto imitando violeiros que tocam com a viola na altura do peito] Parecia um menininho! Só faltou colocar um sapatinho no joelho dele…

Pablo: Agora, o do Matt foi quando o palco caiu com ele. Não é só o gordo que derruba um palco não! (risos)

Dudu Hermano: Mas o Matt foi mais inteligente, na hora que o palco foi caindo, ele surfou no palco, foi se equilibrando assim…

Matt: O palco desmontando e eu surfando! Os instrumentos todos em cima de mim e eu assim, cara… [ele imita a posição de um surfista] A gente saiu e esperou, um cara foi lá, montou o palco de novo e falou que a gente poderia subir que estava tranquilo… Eu toquei travadinho! Não passava nem sinal de wi-fi (risos) Eu não me mexia pra nada! (risos)

Pablo: A gente aderiu a lei seca. Paramos de beber por causa disso, porque já gerou muita discussão…

Dudu Hermano: A gente foi fazer o primeiro réveillon. Na abertura do show, a gente pensou em fazer o inverso. O povo estava de branco, a gente entrou de branco no show, mas depois fomos para o camarim e voltamos com a camisa preta. Quando abrimos o show, eu gritei: “Sabe por que a gente tá de preto? Porque ocasiões especiais merecem trajes especiais, então, vocês estão de branco, nós estamos de preto porque vocês merecem!”. O povo foi à loucura quando falei essa frase. Aí a gente começou a tocar, e o roadie [técnico ou pessoa de apoio] que estava no dia, foi servindo vodca para o Pablo, ao invés de servir água. Quando deu meia-noite, cada um de nós pegou um champanhe, e ao invés de ele virar para o público, ele estourou o champanhe em cima da bateria!

Matt: Nós dois estouramos! Ele virou e falou assim: “Povo, não tá dando, esse negócio aqui não tá dando certo…”. (risos) Ele já estava meio calibrado.

Pablo: Parecia que eu era o Ayrton Senna em primeiro lugar, jogando champanhe. (risos) Molhou os pratos, molhou o microfone…

Matt: A cada dois acordes, uma golada. A gente estava tocando “Malandragem”, quando de repente, eu vejo que o violão sumiu. Na hora que olhei para o lado, vi que no meio da música, o Pablo parou de cantar e começou a afinar o violão! (risos) Depois, ele quis repetir a frase que o Dudu falou, só que ele disse assim: “Vocês sabem por quê nós estamos de preto? Porque vocês também estão de preto, a gente tá de branco, vocês merecem estar de branco, porque a gente é legal!”. (risos) Nada a ver… Um olhou pra cara do outro…

Dudu Hermano: A gente encerrou o show.

Matt: Fomos encerrar com “Primeiros erros” do Capital [Inicial], aí o Pablo pegou o microfone: “Se um dia eu pudesse ver…” [Matt imita o Pablo com voz de bêbado].

Pablo: Quando acabou o show, eu comecei a chorar de raiva, porque o Dudu falou assim: “Acabou! Pra mim o Projeto ao Cubo acabou! Não quero mais isso não!”.

Dudu Hermano: No outro dia, a gente sentou e conversou. A partir de hoje, ninguém bebe.

Pablo: Passou um tempo e a gente foi tocar em um aniversário de casamento. (risos) Chegamos lá, antes do show, vamos todos tomar uma dosezinha de tequila para comemorar.

Dudu Hermano: Cada um virou uma, pra não deixar o aniversariante chateado…

Pablo: Aí o Paulo Soares chegou com o Natan. “Vamos virar mais uma!”. Aí eu virei mais uma.

Dudu Hermano: O aniversariante estava dando tequila só pra ele…

Pablo: Ele falava: “Toma tequila aqui! Toma tequila aqui!”, e pra não deixar ele sem graça, eu virava a tequila na frente dele… Quatro, cinco, seis… Na hora que eu que estava cantando “Primeiros erros”, me lembrei do réveillon… Quando eu olhei para o Dudu, ele já estava me olhando com a mesma cara. Pensei: “Pronto, vai rolar a mesma discussão…”. Quando acabou o show, o que aconteceu? Eu chorei do mesmo jeito! (risos)

Matt: A salvação do Pablo é chorar, ele é a “Maria do Bairro” da banda.

Dudu Hermano: Eu sou um cara que cobra muito, que briga muito pelas coisas certas, sou o “corretinho” da banda, entendeu?

Pablo: Não, espere aí, eu vou cortar ele aqui só um pouquinho… Se ele beber um copo, o Dudu fica tão diferente… Eu vou falar o que ele fez. A gente tocou numa cidade, tal… Ele tinha bebido seis Budweiser, e entrou em um ônibus de excursão! (risos) Eu tenho filmado! (risos) Eu falei: “Dudu, eu duvido que você entre nesse ônibus…”. Ele entrou!

Matt: A gente parou num posto, ele desceu da van, entrou e foi lá no fundo do ônibus. Deu pra ver na janelinha, a peruquinha dele passando assim… Pablo: O ônibus começou a sair, e ele saiu correndo (risos) “motorista, para o ônibus! Eu não sou desse ônibus aqui não!”. (risos) Falando de mim, eu sempre tomava umas antes, durante e depois… Você acaba criando certa resistência. Meu recorde até hoje foram onze doses de Jack Daniel’s junto com seis longneck de Budweiser. Nesse dia, no final do show, eu estava inteirinho formigando, não sabia o quê que ia me dar… Acabou que eu criei um limite. Eu pensei: “Velho, nunca que eu posso chegar nisso aí”. Depois de tudo isso, a gente optou em não beber.

Dudu Hermano: E hoje a banda tem uma visão por isso. A gente quer mostrar a imagem de quem chega na hora, toca certinho, de profissionais. E o contratante fica feliz por isso. “O que eles pediram no camarim? Água, refrigerante e energético”.

A música se tornou um produto descartável. Você faz a música, martela na cabeça do pessoal, quando não dá mais, descarta e já cria outra com outra situação atual.

-Matt

Como é ser músico no Brasil?

Dudu Hermano: É difícil por questões financeiras, de visibilidade. O rock não é uma área notória, talvez se a gente fosse um trio sertanejo, com três vozes e cada um fazendo um instrumento com complemento de instrumentos na linha do sertanejo, teríamos até mais visibilidade, ou talvez em outra posição dentro do Brasil.

Pablo: O mercado da música hoje está muito momentâneo.

Às vezes nem é o sertanejo em si, mas o momentâneo, porque talvez o rock que não consegue fazer uma música momentânea. Se for parar pra pensar, a gente toca em nosso repertório, músicas de rock que foram hinos. Os hinos acabaram em 2001. Não só no rock, mas no sertanejo também. Bruno & Marrone lançou uma música que até hoje o povo canta, mas de lá pra cá, eu não vejo mais, entendeu? Você não canta “Borboletas” de Vitor & Léo, porque o povo vai falar: “Nossa que brega!” ou “Essa é antiga, hein?”, mas se você jogar “Evidências” do Chitãozinho & Xororó, ou “The Wall” do Pink Floyd, muda a história.

Dudu Hermano: O que o brasileiro procura hoje? A pessoa viveu o dia inteiro estressante, com a cabeça cheia, às vezes até depressivo, então ela quer uma música que a faça feliz pelo menos naquele momento em que ela está bebendo, ou que está sendo corno, entendeu? (risos) E a velocidade da internet, dos momentos em que estamos passando, faz com que as músicas sejam momentâneas.

Matt: A música se tornou um produto descartável. Você faz a música, martela na cabeça do pessoal, quando não dá mais, descarta e já cria outra com outra situação atual.

Pablo: É descartável, mas que dá um dinheiro absurdo! A pessoa tá fazendo esse produto aí, já pensando no que ela vai lançar daqui seis meses!

Dudu Hermano: Pelo menos durante seis meses que a música está rolando, a pessoa que fez ganhou aquele.

Matt: Eu sou da época em que se colocava uma música pra tocar, ia fazer cartinha pra menina que você gostava da escola. Eu usava a música pra quê? Pra sonhar, dar uma viajada… A música falava tudo o que eu sinto por alguém… Hoje em dia, como é que você manda uma música para uma menina?

Dudu Hermano: Essa semana a gente estava discutindo sobre a música “Chão de giz”, do Zé Ramalho. Cada estrofe tem um significado e um momento, uma história, um contexto. Hoje não é preciso ter inteligência para ficar famoso. Agora é “blábláblá, blêblêblê”… Mas tem outra coisa também, mudando um pouco a linha. Hoje em dia, as bandas sertanejas não pegam o cara que tocou sertanejo a vida inteira, por exemplo, um baixo hoje, da linha do sertanejo, é um dos mais complexos que tem! O cara que faz aquela linha de baixo pra gravação no estúdio, é o cara que veio do jazz. O próprio Ryan [Ribeiro], que é o melhor baterista de Uberaba, hoje toca sertanejo! Tocou com o Gusttavo Lima e hoje está com o Humberto & Ronaldo. Talvez, se você tirar a sanfona, pegar a harmonia e dividir a música com pausas, você tenha um funk, um soul. Tem uma pegada pop mesmo. Mas resumindo é isso, para entrar no mercado e ser visto, o músico tem que ser rápido e ter ideias que acompanham o momento atual. No nosso caso, a gente mudou o jeito de tocar em bar. Falamos assim: “a gente não vai ser o rádio, a gente quer ser uma atração ali!”. Queremos ser vistos, lembrados. Viramos a banda que está no barzinho para interagir.

Matt: A gente brinca com o pessoal da mesa. Tem muito músico na cidade que senta, abre a pastinha, vai olhando pra ela e nem vê quem que está lá na frente dele, o famoso “vai pra matar a paga”.

E sobre as gravações do trabalho de vocês? Quantos CDs, DVDs?

Matt: Recentemente lançamos um CD nosso de estúdio. A gente não entrou para o estúdio e começou a gravar… Em 2014 gravamos algumas músicas, em 2015 gravamos mais algumas, no comecinho de 2016 outras e no meio de 2016, a gente lançou o CD. Então, até mesmo quem ouvir, vai notar uma diferença, dá pra notar qual é mais do começo. O nosso DVD foi gravado em Outubro de 2015, mas só lançamos no final de 2016.

O Projeto ao Cubo não é a banda do CD ou DVD, é a banda do “ao vivo”. A gente consegue fazer uma pessoa se arrepiar por ela estar ouvindo, por um momento ou por algo que foi feito lá dentro do show.

-Dudu Hermano

E sobre as gravações do trabalho de vocês? Quantos CDs, DVDs?

Matt: Recentemente lançamos um CD nosso de estúdio. A gente não entrou para o estúdio e começou a gravar… Em 2014 gravamos algumas músicas, em 2015 gravamos mais algumas, no comecinho de 2016 outras e no meio de 2016, a gente lançou o CD. Então, até mesmo quem ouvir, vai notar uma diferença, dá pra notar qual é mais do começo. O nosso DVD foi gravado em Outubro de 2015, mas só lançamos no final de 2016.


O Projeto ao Cubo não é a banda do CD ou DVD, é a banda do “ao vivo”. A gente consegue fazer uma pessoa se arrepiar por ela estar ouvindo, por um momento ou por algo que foi feito lá dentro do show.

– Dudu Hermano


Dudu Hermano: O maior pesar de ter gravado aquele DVD, é olhar hoje e ver a diferença de um ano e meio atrás. Pensamos em descartar muita coisa.

Matt: Pelo tanto que está diferente… O tanto que a gente mudou.

Pablo: O Projeto ao Cubo é uma banda para você ver, ir ao show, e não para comprar um CD e ouvir. Não que você não tenha que comprar…

Matt: Assim você arrebenta a gente também, né? Já fodeu tudo… (risos)

Pablo: Não, claro… Mas tipo assim, veja o que está acontecendo ao vivo, e depois compre o que está acontecendo gravado… É diferente a energia!

Dudu Hermano: Eu estou te convidando. Você ou qualquer um que esteja lendo esta entrevista… É importante que seja colocado isso. O Projeto ao Cubo não é a banda do CD ou DVD, é a banda do “ao vivo”. A gente consegue fazer uma pessoa se arrepiar por ela estar ouvindo, por um momento ou por algo que foi feito lá dentro do show.

Gostariam de dizer algo para o público?

Pablo: De minha parte, eu só queria agradecer. Eu não imaginava que a gente ia agradar tanta gente assim… Obrigado Uberaba e região e todos os lugares que viram os nossos shows. A gente está tocando num momento sertanejo e colocando pop, rock, rock nacional, anos 80… É isso.

Dudu Hermano: Eu tenho essa ideia de inventar, de criar, e o único propósito que eu tenho na minha vida, é o de deixar alguma coisa, de ser lembrado por alguma coisa que eu fiz. Graças ao Projeto ao Cubo, hoje eu tenho certeza que se meu filho estiver aqui daqui trinta anos, ou até mesmo se um dia eu mudar daqui e ele voltar, vão dizer: “Seu pai foi o Dudu do Projeto ao Cubo, que mudou um momento da música, que era de um jeito e eles fizeram de outro”, ou “eles fizeram alguma coisa pra me deixar feliz”. A política da banda é fazer pessoas felizes. Se eu morrer hoje, amanhã, ou daqui um ano, isso fica gravado como sendo um momento feliz em que a gente está.

Matt: Mas vaso ruim não quebra, você ainda vai durar muito!

Pablo: Eu acho bonito o que o David Gilmour fez uma vez falando: “Tenho setenta anos e não quero parar de trabalhar”. Eu quero estar com setenta anos e não quero parar de trabalhar com isso.

Dudu Hermano: O Pablo brinca dizendo que quer me ver subir no cajón de muletas e tocar sem os dedos, o Matt todo torto, remendado… (risos)

Pablo: Falar isso é expandir uma energia positiva… Aliás, quero agradecer ao pessoal da minha família, que sempre me apoiou e hoje me respeita. E também aos donos de bares, que abriram a oportunidade de a gente estar mostrando o nosso trabalho.

Matt: E ao público! Mas a gente tem uma equipe também muito bacana, né? O Pedro Borges nas imagens, o Mayton Ribeiro na parte de publicidade, tem o Evandro Carlos que esteve com a gente desde o começo da banda. Hoje tá meio distante, mas nós vamos ainda buscar esse menino de novo… Ele é o coringa, vamos dizer assim. O Rodrigo Leme que trabalha na parte comercial, o Danilo Nogueira faz as fotos. Tem até mesmo… Na época teve o irmão do Pablo, né? O Victor Carvalho, grande Vitão, que deu uma força pra gente. O Élcio Oliveira, pai do Pablo e o Roberto Miziara, nosso grande e espetacular motorista.

Pablo: Essa galera que acredita na gente. Eu vou te falar um negócio, eu queria agradecer ao meu pai, minha mãe também, mas meu pai… Toda festa que tem lá em casa, mesmo que a galera ame o sertanejo e coloca o som “no talo”, de vinte em vinte minutos, eu ouço Projeto ao Cubo tocando alto da mesma maneira. 2017 é um ano muito especial pra mim, pois estou comemorando vinte anos como cantor, e foi na Comunidade Bom Jesus e na Paróquia de Santa Teresinha que tudo começou, em 1997. Agradeço profundamente meu padrinho de crisma Luis Humberto Miquelino e meu grande amigo Marco Tulio Freitas, o Trovão, meus primeiros passos na música foram ao lado deles e sou eternamente grato por ainda poder cantar pra Deus e para várias pessoas, e teve até uma amiga minha que cantou muito tempo comigo, a Juliana Gomes. A gente cresceu junto na igreja, na Santa Teresinha, de 2001 em diante. Ela, a irmã dela, a Mariana, o Danilo Artedes, um abraço pra vocês! Agradeço também ao Monsenhor Valmir Ribeiro que muito me ensinou no início de tudo. Obrigado. Um beijo nos meus três queridos filhos Igor, Isabela e Lucas e pra minha família que sempre me apoiou: Minha mãe Kátia, meu pai Élcio, meu irmão Victor, meus avós Edson e Ivonildes. Amo vocês incondicionalmente.

Pra finalizar, eu gostaria de agradecer pela entrevista, que foi bem bacana e divertida. Muito obrigado pelo tempo de vocês.

Dudu Hermano: Pô cara, valeu mesmo!

Matt: Opa!

Pablo: Obrigado a você, pela oportunidade.

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